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Esses são os 5 setores que mais vão crescer no Pará, antes e depois da COP-30

Diversos setores da economia paraense estão crescendo e se desenvolvendo a partir dos investimentos bilionários que estão sendo direcionados para aa região


cop-30 em belem
COP-30 transformará significativamente o estado do Pará

A COP-30 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas) maior evento para discussão das mudanças climáticas ocorrerá em Belém, em 2025. Com a proximidade da conferência, muitos investimentos bilionários tem sido direcionados para a capital paraense para acelerar as obras de infraestrutura e preparo para o encontro global.


Nessa perspectiva, alguns setores da economia do estado serão impulsionados de forma inédita. Seja no período pré ou pós COP-30, mudanças positivas irão acontecer nos negócios da região através de incentivos, cursos, programas etc.



Um exemplo disso são as últimas duas edições da COP que ocorreram no Egito (COP-27) e Emirados Árabes Unidos (COP-28). Eventos como estes costumam deixar um emblemático legado para as cidades que os sediam. Sem dúvida, esse é o caso da capital paraense, que já se encontra em plena transformação estrutural e econômica, proporcionando inúmeras oportunidades de negócios. Até o momento foram disponibilizados diversos recursos da parte do Governo e também foi anunciado a chegada de grandes empresas na região.


Antes de Belém, a cidade de Baku, no Azerbaijão, irá receber a Conferência. Os painéis e as questões levantadas serão importantes para o país que possui a maior parte de sua matriz energética firmada sobre os combustíveis fósseis.


A plataforma Belém Negócios analisou este cenário. Confira os 5 setores do Pará e região que mais vão crescer, antes e depois da COP30:


1. Combustíveis



O Pará está se tornado um destaque no que diz respeito a energia renovável, combustíveis e gás natural. Em abril deste ano, a Raízen - empresa integrada de energia que produz etanol, açúcar, combustíveis e bioenergia - lançou, em parceria com a Vibra uma nova Base de distribuição de combustíveis em Santarém.


Localizada no encontro dos rios Amazonas e Tapajós, a nova base permitirá que navios de longo curso que trafegam pelo Amazonas descarreguem combustível em Santarém, tornando esse o principal ponto de abastecimento do Oeste do Pará, Amazônia Ocidental e Norte do Mato Grosso.


Além disso, em fevereiro deste ano, o Governo do Estado inaugurou o primeiro Terminal de Gás Natural do Pará, em Barcarena. A entrega do empreendimento de mais de R$ 1 bilhão, se tornou marca da transição energética no estado e incentivou grandes empresas a utilizarem o gás natural dentro do seu processo de produção, o que contribui para a descarbonização das operações.

Terminal de Gás Natural em Barcarena. Foto: Divulgação

Destaque neste setor


O Governo Federal está discutindo a exploração de petróleo na Margem Equatorial, faixa do litoral que abarca o Norte e parte do Nordeste. "Queremos fazer tudo legal, respeitando o meio ambiente, respeitando tudo. Mas nós não vamos jogar fora nenhuma oportunidade de fazer esse país crescer", declarou o presidente Lula, no Fórum da Iniciativa de Investimento Futuro, no Rio de Janeiro.


A exploração da Margem Equatorial deve ser um dos principais anúncios da COP-30 em Belém, já que desde 2023, representantes da Petrobras visitam a cidade para tratar de propostas e oportunidades para o setor na capital. Em reunião na sede da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), em fevereiro do ano passado, a comitiva da estatal apresentou a previsão de US$ 2,9 bilhões em investimentos para a exploração de 16 poços de óleo e gás na Margem Equatorial. Segundo matéria divulgada pela FIEPA, Belém será a base de operações da Petrobras durante as atividades exploratórias na região.


Apesar dos planos da companhia, as negociações e licenças ambientais seguem travadas e por isso os investimentos ainda não começaram a ser feitos. Ainda no Fórum da Iniciativa de Investimento Futuro, no Rio de Janeiro, o presidente Lula afirmou que o debate técnico precisa ser feito e a questão ambiental precisa ser levada a sério.


Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
“Nós temos um debate técnico que tem que ser feito. O problema é que no Brasil tudo é polemizado. Você tem petróleo em um lugar, a Guiana está explorando, Suriname está explorando, Trinidad e Tobago explora, você vai deixar o seu sem explorar? Então, o que nós precisamos é garantir que a questão ambiental será levada 100% a sério. Então, isso nós vamos garantir e, por isso, vamos conversar muito sobre isso”, afirmou Lula à Agência Brasil.

Com tantos investimentos e avanços, o setor deve permanecer crescendo após as discussões a respeito da transição energética e maior eficiência no aproveitamento dos combustíveis fósseis, que ocorrerão na COP-30.


A nova presidente da Petrobras, Magda Chambriard comentou que a empresa tem conseguido reduzir a emissão de gases do efeito estufa durante a produção de petróleo. “Somos uma empresa que está investindo muito em descarbonização. A pegada de carbono de um projeto da Bacia de Santos do pré-sal é metade da pegada de carbono [de um poço] tradicional. Isso é a prova que a Petrobras está atenta para a questão do meio ambiente, estamos encarando a transição energética, somos vanguarda em renováveis”.


A respeito da exploração na Margem Equatorial, Chambriard afirmou que "a gente já perdeu 10 anos", se referindo a licitação para explorar a região que se deu em 2013. “A gente explora no pré-sal, em frente a Ipanema, em frente a Búzios, em frente a Angra dos Reis, e todos os atores, sejam eles a sociedade, os prefeitos, os deputados, está todo mundo feliz com a atuação e com a receita e com desenvolvimento que provêm dessa exploração e dessa produção”, afirmou, se referindo a locais de interesse turístico no litoral do Rio de Janeiro.


2. Turismo


Foto: Bruno Cecim/Ag. Pará

O setor turístico é um dos que mais está recebendo investimentos pré COP-30. Linhas de créditos, cursos profissionalizantes e aceleração de startups estão à disposição de quem trabalha ou investe no setor no Pará.


Em 2023, o Pará teve a melhor temporada de cruzeiros desde 2019. Segundo dados divulgados pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur), a atividade turística gerou uma receita superior a R$ 750 milhões em 2023. Além disso, a dragagem do porto de Belém irá facilitar a ancoragem de navios de grande porte, possibilitando ainda mais turistas chegarem a cidade e facilitando a hospedagem para a COP-30.


Vice-governadora Hana Ghassan.
"O Turismo é um dos setores mais impactados positivamente com a realização da COP-30 em Belém. O governo do estado está com uma série de ações e projetos em andamento que vão elevar a qualificação da rede hoteleira, da mão de obra do setor e também dos serviços de atendimento ao turista, como motoristas de táxi e aplicativo, por exemplo. Além disso, as obras previstas para a COP vão colocar Belém na rota dos cruzeiros internacionais", comentou a vice-governadora e presidente da Comissão Estadual da COP-30, Hana Ghassan.

Os mais de 1 milhão de turistas em solo paraense apontaram para um crescimento de mais de 13% em comparação ao ano anterior. O crescimento foi acompanhado de um acréscimo de mais de 11% no número total de turistas que escolheram o Pará como destino, acarretando na geração de aproximadamente 60 mil empregos relacionados ao setor.


De janeiro a maio deste ano, mais de 1,5 milhão de passageiros embarcaram e desembarcaram no Aeroporto Internacional de Belém, representando um crescimento de quase 12% em relação a 2023. A partir da alta, o aeroporto registrou o melhor mês de maio da sua história. Entre embarques e desembarques, o Aeroporto recebeu mais de 338 mil passageiros no período, um aumento de 17% em comparação ao ano anterior.


Aeroporto internacional de Belém. Foto: Pedro Guerreiro/Ag. Pará

Com a proximidade da COP-30 e as discussões a respeito da preservação ambiental, as belezas naturais da Amazônia, suas comidas típicas e sabores diferenciados chamam ainda mais a atenção dos turistas. O Eco Turismo também deve ganhar uma valorização maior devido a procura por experiências que conectem os visitantes com a natureza.


A crescente que o turismo tem apresentado deve se manter após a COP-30, já que alguns dos investimentos que estão sendo realizados em relação a infraestrutura da máquina turística da região, serão finalizados apenas após a realização do evento em Belém. É o caso da construção de outros aeroportos no estado (divulgado pelo ministro do turismo ao O Liberal), da conclusão do Parque da Cidade, da conclusão do BRT Metropolitano etc.


Belém também está investindo em novos parques e praças, como os Parques Lineares da Doca e Tamandaré, a revitalização da Praça Batista Campos, o Porto Futuro II, a readequação do Mercado de São Brás, a revitalização do Ver-o-Peso e da Feira do Açaí, entre outros


A cidade também receberá novos hotéis como o Vila Galé e possivelmente a rede Tivoli & Resorts, ambos nas proximidades do Porto Futuro II. Segundo a vice-governadora, a ideia é modernizar o setor no Estado.

"O Estado trabalhou para que hotéis, bares e restaurantes tivessem acesso a linhas de crédito do BNDES e do Fungetur (Ministério do Turismo) para empregar na modernização do setor. Além disso, o governo do Pará isentou o segmento de hotelaria de ICMS nas compras internas e interestaduais para equipamentos como frigobar, televisão, ar-condicionado e mobiliário, incentivando a melhoria da rede hoteleira atual. O governo do estado também fechou parcerias importantes para a criação de novos hotéis de classe A e assinou acordo de cooperação para a oferta de aluguel de curta duração através de plataformas da internet", comentou Hana.

3. Distribuição


Exportação no Estado do Pará. Foto: FIEPA

A logística de distribuição no Norte do Brasil é um desafio para muitas empresas. O anúncio da realização da Conferência do Clima, em Belém, abriu caminho para novas discussões e investimentos destinados ao setor.


O Novo PAC, anunciado pelo Governo Federal, mostrou o interesse público em melhorar a mobilidade urbana na capital paraense. Para além disso, o PAC também trouxe investimentos para a melhoria e o desenvolvimento de estradas e ferrovias na região. A expectativa é que os R$ 38 bilhões em investimentos para infraestrutura, divididos em quatro anos, possam criar condições favoráveis para que o Arco Norte seja a porta de saída de uma parte cada vez maior da safra de grãos do Centro-Oeste.


O Arco Norte é a nova rota de escoamento de da safra de grãos. Fazem parte da rota os portos do Amazonas, Pará, Amapá, Maranhão, Sergipe e Bahia. Os terminais portuários dessa região estão se destacando como importante polo de exportação de produtos agrícolas, em especial soja, milho e fertilizantes.



Dos 45 projetos de transporte previstos para o Pará, 22 são de portos e hidrovias. Portos de cinco cidades do Estado terão investimentos, a maior parte em arrendamentos de terminais para grãos ou minerais.


O canal de acesso do Porto de Belém será dragado, até novembro de 2025, para conseguir receber navios de maior porte. No Rio Tocantins, está prevista a remoção de pedras do leito em Itupiranga; a construção de eclusas no trecho próximo à divisa com o Tocantins; e a sinalização para navegação.


Além das estradas e hidrovias, a capital paraense também inaugurou, em 2024, novos destinos no Aeroporto Internacional de Belém. A demanda de voos diários para os EUA surgiu a partir do aumento da demanda provocada pela COP-30. Além dos voos internacionais, Belém também ganhou itinerários para municípios do interior como Ourilândia do Norte e São Félix do Xingu, na região sudeste; Redenção, no sul; e Oriximiná, no oeste.


Avião da Latam Cargo. Foto: Divulgação

Os novos voos revelam uma melhoria na infraestrutura de distribuição e logística do estado. Outro anúncio relacionado a distribuição, foi o início da operação de uma nova rota cargueira da Latam Cargo. A nova rota entre Guarulhos-Belém-Manaus será operada uma vez por semana em aeronaves com capacidade para mais de 50 toneladas.

Além disso a companhia aérea anunciou a duplicação da capacidade para a capital paraense, uma vez que hoje transporta cargas de/para a localidade exclusivamente nos compartimentos das aeronaves de passageiros. A Latam Cargo também ampliou, de seis para nove, as frequências cargueiras semanais com destino a Manaus (AM) a partir de março, sendo sete frequências a partir de Guarulhos (SP) e duas a partir de Viracopos (SP), representando um crescimento de 30% da capacidade (em quilos) em relação ao ano anterior.


A maioria desses investimentos e ampliações surgiram a partir da necessidade de diversificar os modais de distribuição do estado para suportar as demandas que se iniciam com a conferência do Clima. Após a COP-30, as estruturas criadas devem permanecer, podendo posicionar Belém como um polo de distribuição do Norte do país.


4. Construção


Foto: Bruno Cecim/Ag. Pará

A COP-30 já começa a render números positivos na área da construção. Segundo dados da Secretaria de Obras Públicas, há cerca de 500 obras em andamento no Pará, totalizando um investimento de mais de R$ 4,6 bilhões e empregando mais de 60 mil trabalhadores.


Um levantamento feito pelo Observatório do Trabalho do Estado do Pará, divulgado em abril deste ano, mostra que o Pará fechou o primeiro trimestre de 2024 com mais de 9,3 mil postos de trabalho gerados, sendo que o setor da construção foi um dos que mais se destacou na geração de empregos.


Dentre as intervenções ocorrendo no Estado, estão as obras de infraestrutura que prepararão a capital paraense para a Conferência do Clima, em 2025. Dessa forma, o ramo da construção deve permanecer crescendo para além da COP-30, já que muitas obras devem ser finalizadas apenas após a realização do evento.


Obras do Parque da Cidade. Foto: Bruno Cecim/Ag. Pará

Empresas do ramo da construção estão chegando no Estado com novas perspectivas e tecnologias inovadoras para o setor. É o caso da CMC Modular, que em janeiro deste ano discutia a implementação de uma sede no Pará. A construção da Central COP-30 também foi realizada por uma empresa de construção modular, a Quick House. Fora isso, o setor tem grande possibilidade de crescimento com a readequação de prédios na capital e com a chegada de grandes bandeiras hoteleiras na região, como a Tivoli & Resort e a Vila Galé.


Obras do Porto Futuro II. Foto: Bruno Cecim/Ag. Pará

Com o desenvolvimento da infraestrutura da cidade, o ramo imobiliário também tende a crescer. Com a valorização, a procura deve aumentar e mais empreendimentos podem ser lançados no mercado. “Com juros menores, a prestação diminui. A prestação diminui, pessoas que não tinham renda suficiente para adquirir aquele imóvel, agora conseguem. Isso faz aumentar a demanda. Em Belém, a gente detecta que o estoque está equacionado, dentro de um nível saudável. Aumento da demanda com um estoque equilibrado, você está aumentando a demanda com a mesma oferta. Então a gente entende que pode haver uma maior valorização do preço do imóvel”, projetou Clauber Barreto, gestor Norte e Nordeste da Brain, empresa que conduziu o Censo Imobiliário Belém e Ananindeua, ao O Liberal.


5. Mineração


A extração mineral é a maior atividade econômica do estado, com faturamento de R$ 68 bilhões, no primeiro trimestre de 2024. Ainda no mesmo período, o setor teve alta de 25% no faturamento e 18,3% nas exportações.


Dessa quantia, R$ 43,9 bilhões ou 64,2% pertencem ao minério de Ferro. A categoria ocupa com folga o topo da lista dos produtos de maior impacto no desempenho nacional. Em seguida, aparecem cobre, com 7% de participação, e ouro, com 6,8%.


A alta nos números nacionais foi impulsionada pelos dois estados mais mineradores do Brasil, o Pará e o Mato Grosso. O Pará aumentou 34% nas exportações, chegando a um faturamento de R$ 25,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2024.


A North Star, empresa brasileira de capital belga especializada no refino de metais precisos, está construindo uma refinaria de ouro em Belém. Em 2022, o prefeito Edmilson Rodrigues foi pessoalmente entregar a licença ambiental para operação da empresa. A refinaria, conhecida como a maior da América Latina, está localizada na rodovia Arthur Bernardes.

Foto: Anderson Coelho para o Intercept Brasil

Com os investimentos advindos da COP-30, o setor deve continuar em crescimento a partir da implantação de novas políticas nas empresas mineradoras. Visando os debates relacionados ao clima e aos impactos socioambientais, as empresas mineradoras devem investir em inovação, tecnologia e no desenvolvimento da sustentabilidade e do ESG em seus negócios.


Além disso, certos minerais são essenciais para as tecnologias de energia renovável, abrindo um novo caminho para o setor atuar em consonância com as discussões a respeito do clima. Em abril deste ano, a ONU convocou um painel global para discutir a sustentabilidade na exploração de minerais na transição energética. No lançamento, o chefe da ONU, António Gutierrez, destacou que “um mundo impulsionado por energias renováveis depende essencialmente de minerais”.


Contaminação da água em Barcarena.

Apesar da crescente e das oportunidades sustentáveis e renováveis, muitas discussões estão em volta de problemas ambientais causados por empresas mineradoras atuantes no Pará. É o caso da Nork Hydro, que foi condenada a pagar multa de R$ 50 milhões por damos morais coletivos às comunidades ribeirinhas atingidas pela emissão de gases poluentes e entrou com pedido de apelação da sentença.


Conclusão

O Pará vai se posicionar estrategicamente, não apenas no cenário nacional, mas também de forma global, atraindo grandes CEOs, empresas e marcas. Ao sediar a COP-30 em 2025, portas serão escancaradas para inúmeras possibilidades de negócios, porém, nem tudo são flores.

"Belém será a capital dos assuntos climáticos em 2025, mas é preciso observar a triste realidade que será apresentada ao mundo, especificamente sobre a Amazônia. Estaremos completamente desarmados sobre o que será evidenciado. Temos o açaí, que está na lista dos produtos envolvidos com a exploração e o trabalho infantil. Temos o setor mineral, nossa principal atividade econômica, que atua sem freio, causando impacto irreversível no meio ambiente. Temos uma cultura de negócios ainda pouco evoluída, quando comparada com os grandes centros empresariais. E temos uma cidade com um potencial turístico grandioso que acordou tarde demais para organizar a sua infraestrutura minimamente aceitável para se colocar entre as principais rotas globais do turismo. Não será um evento fácil para o Brasil, mas acredito que, de qualquer forma, na balança final, o peso penderá para algo proveitoso", Rodrigo Souza, fundador do Belém negócios.

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