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Saiba por que a economia brasileira pode crescer mais em 2023 e por que o Pará é estratégico

Agronegócio e setor de serviços devem estimular avanço do PIB para além das projeções do início deste ano; Pará se destaca na exportação de produtos do setor mineral


Pará se destaca na exportação de produtos do setor mineral, de madeira, entre outros produtos (Foto: Agência Pará)

As perspectivas para a economia brasileira vêm melhorando significativamente ao longo dos últimos meses. A edição mais recente do Relatório Focus, publicada pelo Banco Central na segunda-feira (15), mostrou que a projeção de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) pelos especialistas do mercado financeiro para este ano era de 1,02%, a maior desde o fim de 2022. No início do ano, o mesmo Focus previa um avanço mais modesto, de 0,80%. No entanto, os números cresceram sistematicamente desde então.


Não são altas expressivas. Porém, considerando-se que o PIB estimado em 2022 foi de R$ 9,9 trilhões, essa diferença de 0,22 ponto percentual representa mais R$ 21,78 bilhões em circulação na economia. E também é uma alta surpreendente, porque os juros seguem no patamar elevado de 13,75% ao ano desde meados de 2022 e não há sinais de que eles venham a cair substancialmente.


O próprio Focus prevê, há meses, que a Selic vai encerrar este ano em 12,50%, o que está longe de ser uma política monetária frouxa. Como explicar essa melhora das expectativas? E essa dinâmica positiva vai continuar?


“Os dados recentes mostram que os bons resultados do agronegócio ajudaram no crescimento”, diz Nicola Tingas, economista-chefe da Acrefi, associação das empresas de financiamento. “Teremos um plantio e uma safra recordes neste ano, o que trará uma geração de renda expressiva no setor agrícola, o que irriga os canais da renda e estimula a economia”.


Segundo Tingas, várias instituições financeiras revisaram as expectativa para cima, e já há bancos projetando um crescimento em média de 1,3% para este ano, acima da expectativa do Focus. “O próprio Ministério da Fazenda anunciou a revisão dos números para este ano, e o novo PIB projetado pelo governo é de 1,6%”.

Agronegócio e serviços


Carlos Pedroso, economista chefe do Banco MUFG Brasil, concorda com a avaliação, mas diz acreditar que esse resultado não será uniforme. “O crescimento de 2023 será muito concentrado no segmento do agronegócio, impactando a agropecuária e a indústria ligada ao agronegócio”, diz ele. “Trabalhamos com crescimento de 7,5% para a agropecuária e de 0,3% para a indústria”.


Pedroso afirma que o agronegócio é muito ligado ao setor exportador, assim o crescimento global e especificamente chinês são fundamentais para o seu desempenho. “Além disso, por serem produtos de primeira necessidade, são mais afetados pela renda disponível do que pelos juros”, diz ele.


Outro ponto é o setor de serviços. Apesar da forte desaceleração de 4,2% em 2022, ele responderá por outra parcela do crescimento. “Há uma demanda reprimida muito forte nesse segmento”, diz o executivo Fernando Lamounier, mestre em administração pela Yale University. Lamounier, executivo da empresa de consórcios Multimarcas, avalia que o aumento da demanda por esse instrumento que facilita o consumo indica um aumento das atividades.


Os números podem melhorar mais ainda no segundo semestre. Segundo Tingas, da Acrefi, as condições podem melhorar devido ao início do processo de redução de juros e de aprovação das novas regras fiscais, além da sazonalidade própria da economia – os negócios são mais dinâmicos na segunda metade do ano. “E as medidas de estímulo à demanda, como o Bolsa Família, começarão a fazer mais efeito no segundo semestre”, diz ele.


Pará assumiu a 7ª posição no ranking das exportações


Neste cenário do crescimento do Brasil, o Pará é estratégico, por conta da sua forte vocação exportadora. Segundo o relatório de desempenho da balança comercial do Pará de janeiro a abril de 2023, o Estado do Pará manteve-se em sétima posição no ranking das exportações no período de janeiro a abril de 2023, com um valor acumulado de US$ 6.131.103.406 bilhões, porém apresentou uma variação negativa de 9,17%, e mais de 970 produtos exportados, o equivalente a 46.112.187 toneladas exportadas.


O município de Canaã dos Carajás assumiu a primeira colocação no ranking de exportação das cidades paraenses com um valor de US$ 1.795.773.321 bilhões. Nas importações o Pará ficou na décima sexta posição, com um valor de US$ 735.102.310 milhões e 1.245.541 toneladas de produtos importados, representando uma variação negativa de 2,10% no período analisado. Tais dados são do Centro Internacional de Negócios (CIN/FIEPA), tendo como referência os números do Ministério da Economia.


Pará se destaca na exportação de produtos do setor mineral


Os produtos do setor mineral representaram 85% das exportações paraenses, tendo o minério de ferro bruto como principal produto, com um valor exportado de US$ 3.341.140.325 bilhões, no entanto teve uma variação negativa de 17,51%, tendo a China como seu principal destino. Outro mineral de destaque foi o manganês, o qual apresentou uma variação positiva de 178,02%, com um volume de US$ 30.566.938 milhões exportados para a China, principal país de destino.


No setor tradicional, a madeira segue sendo o principal produto exportado, com um valor de US$ 83.492.005 milhões e com uma variação negativa de 44,44%, tendo os Estados Unidos como principal país comprador dessa mercadoria. Outro produto que continua ganhando destaque nas exportações paraenses é o dendê, pois apresentou uma variação positiva de 821,57% no período analisado, com um valor exportado de US$ 7.164.381 milhões e a Alemanha como principal destino.


Já no setor dos produtos não tradicionais, a soja obteve uma variação positiva de 6,50%, com um valor acumulado de US$ 474.091.681, tendo a China como principal destino. Além disso, o milho em grãos teve um valor exportado de US$ 17.639.767, apresentando uma variação positiva de 87,42% e o Irã como principal país comprador. Outros bovinos vivos também apresentou uma variação positiva de 29,46% e um valor de US$ 46.570.613 milhões, sendo a Turquia seu principal destino.


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