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COP-30 em Belém: veja 10 áreas que a cidade precisa melhorar para receber o evento

Entre investimentos e obras, Belém ainda precisa estruturar diversas áreas para receber a COP-30 em 2025; veja quais são



O maior evento global para a discussão do clima acontecerá em Belém, em novembro de 2025. A COP-30, que ocorrerá pela primeira vez na Amazônia, tem trazido à tona diversas problemáticas que a região apresenta - sejam crônicas ou estruturais - e com isso, questionamentos a respeito da realização do evento na capital paraense.


Apesar da grande quantidade de notícias especulando a divisão do evento com outras cidades do Brasil ou a mudança completa no local do evento, o Governo Federal divulgou nota afirmando o compromisso da realização do evento em Belém. Também foi criada uma nova secretaria extraordinária para monitorar o andamento das mudanças que estão sendo realizadas na capital.


O que precisa melhorar?


1 - Hotelaria


Belém possui um número limitado de acomodações. Segundo a Abih-PA (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Pará), a capital possui 5.712 quartos de hotel e 12.115 leitos, mas o governo federal estima um número menor. Inicialmente, a ideia era chegar em 60.000 ou mais vagas na rede hoteleira da cidade, já que são esperadas mais de 50 mil pessoas no evento da ONU.


“Em termos de adequação para sediar uma conferência internacional e, especificamente, a COP30, há muitas considerações logísticas que o governo precisa resolver”, afirmou o secretário-executivo do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), Simon Stiell em entrevista à Folha de São Paulo


Soluções - O Governo do Estado informou que foi enviado ao Governo Federal uma resolução com mais de 10 possíveis soluções para o problema de hospedagem em Belém. além disso, está sendo realizada a dragagem do porto de Belém, o que possibilita a ancoragem de grandes navios que podem servir de hospedagem para os visitantes da COP-30.


Somado a isso, o Governo do Estado realizou um acordo com a empresa de locação de móveis Airbnb. O que ocasionou, nos últimos 4 meses, a ampliação de 700 para 1200 no número de imóveis oferecidos na plataforma.


2 - Atendimento

Foto: Juliana Espíndola

A capital paraense tem recebido diversos investimentos para empreendimentos no ramo da gastronomia, hotelaria e turismo. Apesar disso, a cidade enfrenta dificuldades de realizar atendimento com clientes internacionais, já que, muitas vezes, os atendentes não sabem falar inglês ou outros idiomas.


Outra dificuldade nos atendimentos é a realização do câmbio. Mesmo em pontos turísticos na capital paraense, ainda existe a dificuldade de realizar compras com outras moedas, como o dólar.


“Para este ano, nossa perspectiva é ainda maior. Estamos ampliando a nossa relação com o Banco do Estado do Pará (Banpará), a fim de que a instituição possa ser uma operadora de crédito mais atuante nesse setor, operando com o Fungetur. Esse fundo é para que donos de pousadas, hotéis, bares e outros empreendimentos possam aumentar sua cozinha, o número de leitos, espaços no restaurante, é um acesso bastante facilitado”, declarou o ministro Celso Sabino em entrevista ao O Liberal.


Soluções - Muitos cursos de inglês estão sendo oferecidos para capacitação e melhoria do atendimento em Belém. Um dos exemplos disso, é a realização de cursos de inglês nas Usinas da Paz para motoristas de aplicativo e taxistas visando a COP-30.


3 - Infraestrutura Turística


Apesar de Belém possuir diversos pontos turísticos e rotas de passeio, a infraestrutura do turismo ainda é precária em comparação com a maioria das capitais. Na Cidade Velha, inúmeros casarões necessitam de restauração e a locomoção pelas ruas do comércio se torna cada vez mais difícil e perigosa.


"Faz-se necessário avançar, superar os desafios e as dificuldades, precisamos criar alternativas e agarrar as disponíveis que podem possibilitar as mudanças necessárias que sempre almejamos, com objetivo de qualificar a cidade para os moradores e visitantes", afirmou a turismóloga Silvia Cruz em artigo publicado no portal Beira Rio da UFPA.


Soluções - O Pará recebeu R$40, 5 milhões em recursos federais para manutenção da infraestrutura turística do estado. Além disso, este ano o governo estadual e municipal assinaram a ordem de renovação das placas de sinalização dos pontos turísticos da capital.


Belém também conta com R$ 140 milhões em crédito turístico do BNDES e com a revitalização do Ver-o-Peso, Feira do Açaí e Mercado de São Brás.


4 - Gestão de resíduos

Foto: Tassia Barros/Comus

A gestão de resíduos sólidos é um dos problemas estruturais que Belém possui e que precisam ser solucionados até a Conferência do Clima. No início do ano, Belém passou por uma grande crise com o lixo acumulado pela cidade, já que, o contrato com a empresa que fazia a gestão dos resíduos havia encerrado e o aterro sanitário de Marituba seria fechado.


Em fevereiro deste ano, a Ciclus Amazônia foi a vencedora da licitação para constituir uma Parceria Público-Privada (PPP) e administrar por 30 anos o sistema de coleta urbana de Belém. Serão investidos mais de R$ 700 milhões durante o período.


"A Prefeitura realizou um estudo minucioso e baseado neste estudo foi realizada a licitação. Agora temos uma empresa que vai fazer esse trabalho intenso de coleta, além de atuar com os catadores", disse o prefeito Edmilson Rodrigues em coletiva de imprensa.


Segundo a prefeitura de Belém, será feita a ampliação da varrição das ruas, a coleta de resíduos, além da criação de ecopontos em áreas estratégicas para recolher materiais recicláveis. O contrato também estabelece o encerramento definitivo e a recuperação ambiental do aterro sanitário do Aurá e a construção de um novo centro de tratamento de resíduos, que terá capacidade para receber mais de 2,5 toneladas de lixo por dia.


5 - Aeroportos

Foto: Infraero

A logística para o Norte do Brasil é conhecida por ser mais complexa. Voos mais caros, mais conexões e escalas, menos voos internacionais diretos, entre outros fatores, fazem com que a estrutura aeroportuária do Norte seja vista com maus olhos.


De fato, os aeroportos do Pará precisam de melhorias na infraestrutura, nos serviços e no atendimento.


"Estamos trabalhando muito para melhorar a conexão aérea do Pará com outros Estados da Federação e também com outros países do mundo. Alcançamos agora a ampliação do número de voos da companhia Azul de Belém para Fort Lauderdale: eram cinco frequências semanais e agora são sete, ou seja, temos um voo diário”, ressaltou o ministro do turismo Celso Sabino em entrevista ao O Liberal.


Soluções - O ministro do turismo anunciou a construção de quatro novos aeroportos no Pará até a COP-30, em 2025. Um dos aeroportos deve ser instalado na Região Metropolitana de Belém e os outros três no interior do Estado. "A estimativa da Infraero, para uma pista básica, é de R$15 a R$20 milhões", informou Sabino ao O Liberal.


Além disso, novos voos foram adicionados ao itinerário do aeroporto de Belém pela companhia aérea Azul e a Latam Cargo anunciou a realização de voos de carga para Belém.


6 - Mobilidade

Foto: Pedro Guerreiro/Ag.Pará

Além da problemática da hospedagem, Belém também enfrenta dificuldades com a infraestrutura geral da cidade. Ruas esburacadas, alagamentos constantes e o abandono de vias importantes para a locomoção na capital.


Fora isso, as obras do BRT Metropolitano seguem na BR-316. Os desvios na pista e a constante falta de sinalização fazem com que o trânsito fique complicado naquela área.


Fernando Soares, assessor do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Pará (Sindhopa), entende que o gargalo mais grave da capital paraense, na verdade, é o da mobilidade urbana. "Se vierem comitivas de 100 países e mais todas as organizações não-governamentais esperadas, precisaremos criar urgentemente um plano de contingência para que todas essas pessoas se movimentem. Como Belém é uma cidade antiga, com ruas pequenas mesmo no centro e um fluxo grande de carros, o trânsito hoje é caótico".


Soluções - A macrodrenagem de 15 canais da grande Belém estão sendo realizadas pelo estado, além do anúncio da realização de parques lineares na Doca e da Tamandaré.


7 - Transporte Público

Foto: Alex Ribeiro/Ag. Pará

O transporte público é mais uma das problemáticas que Belém precisa resolver para sediar a Conferência da ONU em 2025. A licitação para nova empresa executar os serviços de transporte público da capital segue sem respostas e a população precisa lidar com o sucateamento dos ônibus e falta de acessibilidade.


Soluções - O Novo Pac disponibilizou cerca de R$ 368,7 milhões para investir na modernização do transporte público de Belém. No entanto, a medida será na modalidade de permissão e não de licitação.


Além disso, Belém deve receber uma nova frota com 40 ônibus elétricos. om investimentos de R$ 120 milhões de reais, os veículos serão entregues entre setembro e outubro deste ano.


8 - Acessibilidade


Quando se trata de tornar a capital paraense em um polo para o turismo na Região Norte, é necessário pensar na acessibilidade. Atualmente as ruas de Belém contam com poucas calçadas acessíveis a cadeirantes ou pessoas com deficiência visual.


Pessoas com deficiência auditiva também recebem pouco apoio em pontos turísticos. Além disso, o transporte público também não oferece acessibilidade a quem precisa. Para falar de turismo é necessário investir em capacitação para que a experiência seja acessível a todos.


“Acessibilidade não é uma pauta da pessoa com deficiência. É uma pauta da cidade, porque tem pessoas com deficiência, pessoas obesas, idosos, mulheres grávidas, todos que enfrentam qualquer problema de acesso à mobilidade da cidade. É uma pauta atrasada e agora eu penso que é o momento do despertar com a COP, que ao invés de tratar da Amazônia, necessita falar dos amazônidas. É uma pauta do cotidiano, porque não somos incluídos nos cinemas, nos shoppings, nos shows. Portanto, tem que ser pensado em todos que habitam (a cidade)”, assinala Regina Barata, fundadora da Associação Paraense da Pessoa com Deficiência (APPD) em entrevista ao DOL.


9 - Saneamento Básico

Foto: Celso Lobo

No Pará, 91% da população não tem coleta de esgoto, de acordo com o Instituto Trata Brasil. Os dados divulgados sobre o tema nesta quarta-feira (20) referentes a 2022 apontam que metade das 10 cidades com os piores índices de saneamento básico em todo o país fica na região Norte - duas delas são Belém e Santarém.


Para o Instituto, o meio para alcançar a meta de 99% da população com acesso a água potável e 90% com coleta e tratamento de esgoto, é o investimento na área. Em Belém, de 2018 e 2022, o investimento médio anual em saneamento por pessoa é de R$ 106,92, equivalendo a menos da metade do valor médio nacional necessário para alcançar a universalização, fixado em R$ 231,09 por habitante ao ano.


"Nós temos como objetivo transformar o saneamento em prioridade. Se a gente olhar para o passado, Belém já foi uma das cidades que tinha o maior atendimento de esgoto sanitário de rede coletora no período da borracha, porque foi priorizado. Hoje, o saneamento, não teve ao longo desse tempo, investimento", frisou o professor de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFPA, José Almir, em entrevista ao G1.


10 - Finalização das Obras


O prazo curto para a realização das obras de infraestrutura da capital paraense parece preocupar as autoridades e a população. Apesar dos anúncios realizados pelos governos estadual e municipal de que as obras seguem de acordo com o calendário, algumas das obras não serão entregues em sua totalidade.


É o caso do Parque da Cidade. Segundo a CNN, a administração estadual alega que até a Conferência da ONU, apenas 60% do espaço parque estará disponível para o público. Os outros 40% só serão entregues após o evento, com previsão de término em 2027.


"De um modo geral, estamos com 25% das obras já concluídas. [...] Essa nova etapa envolve sete obras estruturantes, cujos projetos já foram aprovados pelo Governo Federal e estamos prontos para iniciar essas obras”, disse a vice-governadora Hana Ghassan durante evento de atualização sobre as obras na cidade.


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