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Empreendedora Indígena lança chocolates naturais produzidos no Pará

O objetivo agora é estruturar o negócio para realizar todo o processo da fabricação do produto

Foto: Divulgação

Frutas desidratadas, chocolate indígena, além de embalagens biodegradáveis e produção de ervas medicinais desidratadas. Esses são os produtos fabricados pela Sídja Wahiü, marca criada pela indígena Katyana Xipaya, 36, que se inspirou na força feminina e na energia que vem do sol para a apresentação de sua empresa. Oriunda da Comunidade Indígena Ribeirinha Jericoá II, em Altamira, no Pará, ela criou o primeiro chocolate indígena da região do Xingu.


Com os elementos da força feminina e do sol, Sídja wahiü representa uma novidade no mercado altamirense e da região, de produtos naturais, com base na produção familiar de mulheres indígenas Xipaya e Kuruaya da Comunidade Jericoá II. “Nós plantávamos apenas para a comunidade em pequena quantidade, então decidimos passar a ter uma renda com isso”, conta Katyana Xipaya.


O início se baseou na produção artesanal de frutas desidratadas, que é feita com a exposição delas ao sol. As espécies são majoritariamente nativas e produzidas conforme cada safra do ano. Há desde as mais conhecidas, como a banana, até outras menos popularizadas, como o Cajá. “Queremos que as pessoas realmente conheçam as frutas nativas, que muitas vezes são destruídas na Amazônia”, afirma.


Já a produção do chocolate começou com o apoio do Belo Monte Empreende, que promoveu orientação sobre a plantação do cacau na região do Xingu. As mulheres que fazem parte da produção plantaram e colheram 17 mil pés de cacau e desidrataram frutas utilizando técnicas ancestrais. “O chocolate Sídja Wahiü nasceu de um convite da Cacau Way de criar um chocolate com as frutas desidratadas e o cacau produzido por nós”, contou Katyana Xipaya na página do Instagram da empresa.


O produto é resultado da parceria com a Cacau Way, durante a realização do Programa Belo Monte Empreende, um projeto realizado pela Norte Energia e executado pelo Centro de Empreendedorismo da Amazônia. “O chocolate traz 72% do puro cacau e frutas desidratadas, representando um sabor ímpar ao produto. Assim como nós, outra comunidade indígena também foi beneficiada, e juntas, fazemos parte da primeira linha de chocolates da Cacau Way Comunidades Indígenas.”


Na página da empresa no Instagram, a indígena apresenta a diversidade de frutas desidratadas. Com muita alegria e satisfação, apresentamos nossas frutas desidratadas 100% natural, livre de conservantes e de açúcares adicionais ou agrotóxicos ou ainda qualquer tipo de substância nociva à vida e ao meio ambiente.


ERVAS MEDICINAIS

Além das frutas, são fabricadas ainda ervas medicinais desidratadas, a partir de ervas cultivadas na própria comunidade. Capim santo, hibisco, pimenta e alfavaca são alguns dos produtos que podem ser encontrados para comercialização. São insumos 100% naturais, para quem busca se cuidar e prevenir contra doenças, além de serem ótimos para chás e remédios naturais”, acrescentou Katyana Xipaya.


Os produtos são vendidos na comunidade, na cidade de Altamira, em feiras e nas lojas da Cacauway. Além de serem usadas na produção dos doces, as frutas desidratadas são vendidas para outras empresas, que as utilizam em diferentes produtos. A empreendedora não abre o faturamento, mas conta que as vendas estão sendo constantes desde o lançamento do chocolate. “Está vendendo muito bem, a nossa expectativa não era tão grande”, conta.


O objetivo, agora, é se estruturar para realizar todo o processo da fabricação do chocolate. Mas Xipaya conta que a sua principal meta com o negócio é mostrar para a sua comunidade a possibilidade de empreender. “Estamos acostumados a passar os nossos conhecimentos para o branco, e temos uma riqueza muito grande na Amazônia que está sendo levada por países estrangeiros. Então quero deixar um legado de luta e força.”


Por Wal Sarges, com informações de Um só Planeta.


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