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Empresa inicia 'plantio-piloto' de açaí em plena Caatinga, cujo clima é oposto ao da Amazônia

A empresa iniciará neste ano um plantio piloto de 10 hectares irrigados do açaí. Se houver sucesso nessa primeira fase de testes, cultivo deve subir para 100 hectares nos próximos anos

Toshio Koshiyama. Foto: Divulgação

Originário do bioma amazônico, onde ocorre naturalmente em regiões de várzea, o açaí está despertando a atenção de produtores de frutas do Vale do São Francisco. A Special Fruit, empresa produtora da região, iniciará neste ano um plantio-piloto de 10 hectares irrigados da fruta em plena Caatinga, cujo clima é oposto ao da Amazônia.


“Nós sempre buscamos uma cultura que tenha o apelo de saúde. Açaí é uma cultura que tem muito esse apelo e seu consumo está crescendo no mundo todo”, diz Suemi Koshiyama, fundador da companhia. Nascido no Japão, ele chegou no Brasil criança e há 40 anos mudou-se de São Paulo para Juazeiro (BA), começando com 2 hectares de melão e tomate.


Com o tempo, a Special Fruit tornou-se uma referência regional na fruticultura. No ano passado, a companhia faturou R$ 300 milhões e foi responsável pela exportação de 24 mil toneladas das 350 mil toneladas de frutas exportadas pelo Vale do São Francisco, além de ter se consolidado como uma das cinco maiores exportadoras de manga do país. Agora, ele vê no açaí um futuro promissor. “Aposto que não vai ter açaí para atender todo o consumidor. É por isso que nós estamos começando esse trabalho”, afirma.


Segundo dados do IBGE, o Brasil colheu 1,7 milhão de toneladas de açaí em 2022 (dado mais recente). No Pará, que concentra 95% da produção nacional, o comércio de açaí movimenta ao ano R$ 5 bilhões, estima João Tomé de Farias Neto, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental.


“O maior problema da cadeia do açaí no Pará é a alta sazonalidade, com muito açaí num período e pouco no outro. O cultivo irrigado em terra firme visa atender essa demanda de entressafra”, pontua Neto. A produção hoje é comercializada entre agosto e dezembro, quando ocorre a maior parte da colheita. Segundo o pesquisador, o preço é três vezes mais alto na entressafra, o que ajuda a fechar a conta da irrigação, que pode custar R$ 200 mil o hectare.


Além da Caatinga, o açaí também está se expandido para o Cerrado, onde a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) mantém um projeto de 3 mil hectares irrigados da fruta em municípios de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal.


Do plano, 300 hectares já estão implantados. A região e o Vale do São Francisco aparecem dentre as áreas com condições propícias para a fruta no zoneamento agrícola de risco climático publicado pela estatal este ano. “O fator limitante para a expansão do açaí fora da Amazônia é a temperatura. Se tiver baixa temperatura, ele aborta. Fora isso, com boa adubação e irrigação, é possível obter produtividade no Nordeste até maior que a do Pará devido à maior luminosidade”, explica o pesquisador da Embrapa.


Temperatura e água

No Vale do São Francisco, temperatura e disponibilidade de água não são problemas para Koshiyama. Ele não revela quanto está investindo na cultura. A demanda por água para irrigação chega a 48 mil litros por hectare. “Quando o açaí é irrigado, nós conseguimos aumentar a produção com a aplicação controlada de nutrientes. Essa maior produtividade cobre os custos de irrigação, assim como ocorre na cana, na manga e na uva”, afirma.


Se houver sucesso nessa primeira fase de testes, a Special Fruit quer expandir o cultivo para 100 hectares nos próximos anos, com a possibilidade de consorciar na mesma área o plantio de cacau – outro fruto amazônico de alto valor agregado. “Inicialmente, são poucas mudas para nos ambientarmos com a planta, mas já temos estudos realizados e tudo indica que vai ser bom”, garante Koshiyama.


Fonte: Globo Rural

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