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Prós e contras de trabalhar em uma Startup

Opinião: Claudia Gasparini, editora sênior no LinkedIn e especialistas de inovação comentam sobre vantagens e desvantagens de trabalhar em uma startup. Confira:


Em um 2021 ainda difícil para o Brasil e para o mundo, vimos muitas startups despontarem e criarem soluções importantes para a realidade pós-pandemia. Exemplos disso são os 10 negócios que destacamos na lista LinkedIn Top Startups 2021, que continuaram atraindo atenção, investimentos e talentos apesar da crise.


As startups também têm ganhado cada vez mais relevância como empregadoras – ainda mais em um país com mais de 14 milhões de desempregados, dos quais cerca de 70% são jovens de 14 a 24 anos, segundo dados do IBGE.


Dito isso, as startups são um bom lugar para começar a carreira?


Claudia Gasparini, editora sênior no LinkedIn, lançou uma enquete sobre o assunto, que recebeu mais de mil votos e dezenas de comentários contra ou a favor da hipótese – além de várias opiniões que ponderavam os dois lados da questão.


Ela publicou os resultados:


  • 61% disseram que sim, as startups são um ótimo ponto de partida para quem busca sua 1ª experiência profissional;

  • 30% responderam que a resposta depende de alguns fatores;

  • 9% acreditam que empregadores desse tipo não são uma boa escolha para quem está ingressando agora no mercado de trabalho.

A partir das tendências vistas na enquete, Claudia convidou dois especialistas – David Laloum, CSO e sócio da plataforma de inovação Distrito, e Piero Franceschi, sócio e CMO da escola de negócios StartSe – para debater a questão em um bate-papo ao vivo na página do LinkedIn Notícias.


Confira abaixo um resumo com os principais pontos da entrevista:


1. O ritmo das startups costuma agradar à nova geração


As startups estão com tudo: só no Brasil, desde o início do ano, já foram investidos mais de US$ 7 bilhões em negócios que estão em fase inicial de desenvolvimento. "Isso gera uma gasolina, um crescimento natural e também maior capacidade de contratação", diz David Laloum, da Distrito.


Do lado das pessoas, o contexto complicado da pandemia faz as pessoas repensarem o que querem da vida, e aí a narrativa do empreendedorismo vem à tona, às vezes por necessidade, às vezes por vocação, ou por vontade de experimentar um ambiente mais acelerado e livre de hierarquias.


"As startups têm um modelo de gestão mais aberto, em que há maior possibilidade de ganhar projeção, fazer parte de uma história grande, e isso é muito importante para os jovens", afirma Piero Franceschi, da StartSe. "Enquanto a geração dos nossos pais buscava estabilidade, os mais jovens esperam exponencialidade. O que as novas gerações buscam na carreira é bastante diferente do que se buscava há 10 anos, e as startups são um ambiente mais acolhedor para essa vontade", diz ele.


A opinião dos especialistas é corroborada em diversos comentários que surgiram na enquete da série "A Vaga É Sua". Muitos usuários lembraram que, além de crescimento acelerado, as startups podem dar amplas oportunidades de experimentação para o jovem, já que é possível rodar em várias áreas, o que é uma vantagem para quem está começando, além de oferecer um ambiente menos hierarquizado.


2. Startups topam (e precisam) investir em quem não tem experiência


Piero ainda cita a limitação de recursos das startups como uma condição que abre mais portas para quem está em início de carreira. "Apostar em jovens é do modelo de gestão, mas também é uma necessidade. Negócios em estágio inicial têm uma aposta obrigatória em jovens talentos, gente que queira crescer junto com a empresa. É um misto de fome com vontade de comer", explica ele.


Para David, a cultura de aceitação e até valorização do risco também faz com que as startups estejam mais abertas a uma mão de obra menos experiente. "O processo de inovação passa por tentativas e erros, então a startup aceita o erro como processo de aprendizagem para retificar e melhorar as coisas. Em grandes corporações, onde os modelos são mais consolidados e a busca por resultado tem viés forte em receita, o espaço para experimentação é naturalmente menor".


O jovem também está nessa fase de riscos e testes. "Um começo de carreira combina muito com um começo de empresa, ou seja, com uma startup", afirma Piero. "Existe uma sinergia nisso, que com potencial de gerar mais satisfação do que diante de um empregador com processos já definidos. Isso não significa, porém, que as startups tenham expectativas mais baixas ou cobrem menos.


Assim como para conquistar vagas em empresas de maior porte, a inexperiência pode ser compensada por fatores comportamentais. Demonstrar curiosidade e interesse em aprender costuma compensar, aos olhos de bons recrutadores, a ausência de experiências prévias.


3. O "caos" ensina boas lições para o resto da vida


A falta de processos estabelecidos pode trazer desafios ou até mesmo obstáculos, mas também pode contribuir para a sua formação.


"As startups ajudam a moldar um profissional mais resiliente para qualquer empresa. Ao ser treinado para um ambiente menos organizado, você estará mais pronto para a mudança, que é justamente o perfil que empresas de qualquer porte mais têm buscado hoje, diz Piero.


Para David, a a adaptabilidade é uma competência muito desenvolvida no ambiente de trabalho das startups.


"O jogo infinito da transformação digital com inteligência artificial, internet das coisas, blockchain, 5G, tudo isso traz necessidade de evolução das empresas e, por consequência, das pessoas também", afirma. "Por isso as startups ajudam a preparar ótimos profissionais, inclusive para posições em negócios mais tradicionais ou consolidados".


Também vale lembrar que a área de tecnologia, em que há um gigantesco déficit de mão de obra, costuma ser mais aberta para quem busca conciliar formação e emprego. "Para quem está muito interessado na área, é possível o autodidatismo ou até apostar em modelos mais novos de qualificação, em que você estuda de graça e paga pela formação depois que arranjar um emprego", explica Piero.


4. Esteja ciente do lado B das startups


Independentemente da idade, quem aceita trabalhar para uma startup precisa saber que o estágio inicial do negócio pode acarretar algumas faltas e insuficiências do ponto de vista da gestão, inclusive de pessoas. A ausência de feedback é uma queixa comum – e pode afetar especialmente as gerações mais novas.


Para David, de fato, até chegar num certo nível de maturidade, a empresa não consegue estabelecer todos os padrões de governança. "Não é tão simples para quem está buscando um certo padrão, então é uma escolha do tipo 'trade-off', a pessoa terá que aceitar uma certa informalidade na maneira de trabalhar, pelo menos por um tempo". "Quando elas se organizam, ficam até melhores do que empresas tradicionais, inclusive em termos de acompanhamento, mas existe sim um tempo em que a estrutura pode deixar a desejar", diz ele.


Outro ponto de atenção: nem sempre a jovem empresa terá recursos para colocar um profissional com muita experiência e bagagem para liderar, o que também pode diminuir a possibilidade de oferecer feedback e acompanhamento de toda a equipe. "Tem esse lado B, claríssimo, mas faz parte do que é uma startup, uma empresa em evolução", conclui ele.

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