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Por que pequenas empresas brasileiras ainda exportam pouco?

Embora o Brasil possua uma economia diversificada e um setor produtivo amplo, a participação das empresas nacionais no comércio exterior ainda é relativamente limitada. Dados da Secretaria de Comércio Exterior - SECEX indicam que menos de 1% das empresas brasileiras exportam regularmente, o que revela um potencial significativo ainda pouco explorado pelo setor empresarial.


Mesmo com avanços recentes — como o recorde de 28.847 empresas exportadoras registrado em 2024 — a presença internacional das empresas brasileiras permanece concentrada em grandes companhias e em setores tradicionais, como o agronegócio e a mineração. Esse cenário evidencia uma característica histórica do comércio exterior brasileiro: forte concentração de exportações em poucas empresas de grande porte, segundo Relatório de Exportações e Importações por Porte Fiscal das Empresas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços - MDIC.


Um comércio exterior ainda concentrado

Curiosamente, as micro e pequenas empresas representam uma parcela relevante das companhias exportadoras, mas respondem por uma fração muito menor do valor total exportado pelo país. Esse desequilíbrio mostra que muitas empresas conseguem acessar mercados externos, mas ainda enfrentam dificuldades para expandir sua presença internacional.


Por que as pequenas empresas ainda enfrentam barreiras?


Entre os principais obstáculos estão fatores estruturais do próprio comércio exterior. Exportar exige conhecimento técnico, planejamento logístico, adequação a normas internacionais e cumprimento de exigências regulatórias cada vez mais rigorosas. Para pequenas empresas que ainda estão estruturando sua gestão administrativa e financeira, esses desafios podem parecer complexos.


Há também um fator cultural. Durante décadas, o mercado interno brasileiro foi suficientemente grande para permitir o crescimento de muitas empresas sem a necessidade de buscar clientes no exterior. Com a globalização e a integração das cadeias produtivas internacionais, essa realidade começa a mudar.


Políticas públicas quem ampliam a cultura exportadora


Nos últimos anos, o governo federal tem buscado enfrentar esse desafio por meio de políticas voltadas à chamada cultura exportadora. Um dos principais instrumentos é o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX), coordenado pela ApexBrasil, que prepara empresas para atuar no comércio internacional com planejamento estratégico, orientação técnica e adequação de processos produtivos.


O programa atua em diversas regiões do país e já qualificou mais de 25 mil empresas, sendo que cerca de 59% delas são micro e pequenas empresas, como expõe o Relatório Anual de Implementação da PNCE de 2023.


Além do PEIEX, iniciativas como a Política Nacional de Cultura Exportadora - PNCE e parcerias entre a ApexBrasil, o Sebrae e universidades buscam ampliar o número de empresas exportadoras no país, oferecendo capacitação, apoio técnico e acesso a mercados internacionais.


Quando pequenas empresas conseguem acessar o mercado global


Os resultados começam a aparecer. Empresas que participam desses programas frequentemente conseguem iniciar suas operações internacionais de forma estruturada e sustentável. Um exemplo é a Biozer da Amazônia, indústria de produtos naturais que, após participar do PEIEX em Manaus, passou a exportar para mercados como Estados Unidos, Canadá e Austrália.


Casos como esse demonstram que a internacionalização não está restrita a grandes corporações. Pequenas empresas com produtos diferenciados, inovação e planejamento estratégico podem encontrar oportunidades relevantes no mercado global.


Internacionalização como estratégia de crescimento


Para empresários brasileiros — especialmente aqueles localizados em regiões com forte vocação produtiva, como a Amazônia — o comércio exterior pode representar um caminho importante de crescimento. Produtos ligados à bioeconomia, alimentos, tecnologia e economia criativa têm despertado crescente interesse internacional.


A ampliação da presença de pequenas e médias empresas no comércio exterior, portanto, não depende apenas de políticas públicas ou de mudanças regulatórias. Depende também de uma mudança de mentalidade empresarial: enxergar o mercado internacional não como um território distante, mas como uma extensão natural das oportunidades de negócio.


Em um mundo cada vez mais integrado, a internacionalização tende a deixar de ser um diferencial competitivo para se tornar parte essencial da estratégia de crescimento das empresas brasileiras.

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