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Guerra no Oriente Médio: alta do petróleo recoloca o diesel no centro da economia brasileira

Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio e à disparada do preço do petróleo no mercado internacional, o governo do presidente Lula anunciou um pacote de medidas para tentar conter o impacto no Brasil. A reação do Planalto ocorre em um momento de forte instabilidade internacional.


O governo decidiu agir rapidamente e assinou, na quinta-feira (12), uma Medida Provisória (MP) que zera o PIS e a Cofins sobre o combustível, cria uma subvenção para produtores e importadores e institui um imposto de exportação sobre o petróleo, em uma tentativa de reduzir o preço nas bombas e evitar efeitos em cadeia sobre a inflação. 


A estimativa do governo federal é de que haja uma redução de R$ 0,64 no litro do diesel vendido ao consumidor. O número pode parecer pequeno, mas tem peso estratégico em um país onde o produto movimenta praticamente toda a logística. 


Os preços do petróleo no mercado internacional passaram da casa dos US$ 100 por barril Brent na quinta-feira (12), após os ataques do Irã à infraestrutura petrolífera de países do golfo Pérsico e o fechamento do estreito de Hormuz, em resposta às ofensivas americanas e israelenses contra o país.


Após a repercussão, o governo Trump suspendeu temporariamente, no mesmo dia, as sanções às remessas de petróleo russo, em um esforço para acalmar os mercados e conter as consequências econômicas da guerra.


Medida adotada no Brasil


Para entender melhor o alcance das medidas do governo Lula, ouvi o economista Mário Tito Almeida, doutor em relações internacionais. O pacote, para ele, é um movimento para proteger a economia doméstica diante de um cenário global que o país não controla.


Do ponto de vista econômico, a medida tende a funcionar para segurar o preço interno do combustível. Mário diz que essa é uma forma de garantir que o produto continue sendo disponibilizado para o mercado interno sem que ele sofra os impactos do mercado externo.


“O diesel é muito importante, porque ele é muito central, falando do ponto de vista dos fretes, do carregamento, da logística como um todo, que se dá via caminhões, pelas rodovias, utilizando o diesel, e também para os plantios, as máquinas que produzem os alimentos na agricultura, e até na indústria, tudo passa pelo diesel”, comenta.


Outro ponto da decisão do governo é o imposto de exportação. A estratégia tenta reter parte da produção no mercado doméstico. Além disso, o ministro da Fazenda e o ministro da Casa Civil, Fernanda Haddad e Rui Costa, disseram que as medidas estimularão refinarias brasileiras a aumentar a produção.


Com as medidas, o governo indica para o mercado que não vai aceitar os aumentos, inclusive nos postos de combustível. “Eles podem criar inflação e gerar uma cadeia toda de aumento de preços”, alerta Mário. É justamente isso que o governo federal tenta prevenir.


Apesar do esforço do governo para conter o impacto imediato, o cenário internacional ainda impõe limites à capacidade de controle dos preços.


Brasil continua vulnerável às oscilações


Mesmo com os benefícios temporários, o Brasil continua vulnerável às oscilações do mercado internacional de petróleo. O doutor em relações internacionais adianta que o conflito está longe de acabar e, consequentemente, muitos países ainda sentirão os efeitos da guerra.


O conflito traz um impacto sobre várias cadeias produtivas no mundo e, se continuar, pode haver uma desestruturação do sistema econômico internacional, afetando o preço do dólar, o mercado financeiro e muitos outros indicadores.


No fim das contas, o pacote anunciado pelo governo funciona mais como um amortecedor do que como uma solução definitiva. Enquanto o diesel continuar dependente das oscilações do mercado internacional, o Brasil continuará navegando entre novos riscos de pressão sobre os preços e a inflação.


Elisa Vaz é jornalista graduada na UFPA, tem anos de experiência em cobertura política e econômica e formação em Economia pela Fipe.


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