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Bancos Investem US$ 54 Bilhões Em Mineradoras Que Estão De Olho Em Terras Indígenas Na Amazônia

Mineradoras receberam investimentos bilionários de instituições financeiras nacionais e internacionais


Bancos Investem US$ 54 Bilhões Em Mineradoras Que Estão De Olho Em Terras Indígenas Na Amazônia
Imagem: Unsplash

Mineradoras que atuam em áreas de preservação ambiental e terras indígenas receberam investimentos de R$ 273 bilhões em empréstimos, subscrições, ações e em títulos em 2021. Relatório foi feito pela Amazon Watch e pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).


Os valores foram liberados, em sua grande parte, por bancos internacionais, mas também tiveram o dedo de instituições financeiras nacionais.


Mesmo sendo um mercado responsável pelo desmatamento de pelo menos 405 km² da floresta amazônica entre 2015 e 2020, e outros 125 km² em 2021, segundo dados do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real, a exploração mineral da Amazônia atraiu investimentos que concentram principalmente oito empresas brasileiras, entre elas a Vale e Potássio do Brasil.



A Vale é mencionada no relatório como a maior interessada em explorar a região amazônica. Em novembro de 2021, foram constatados 75 requerimentos para exploração mineral na Amazônia, segundo dados analisados pelas entidades no próprio sistema da Agência Nacional de Mineração (ANM). No total, 14 dos documentos solicitam acesso a áreas sobrepostas ou nas imediações de reservas indígenas.


O conglomerado britânico Anglo American, ficou em segundo lugar, com 11 requerimentos de projetos em terras indígenas.


A Potássio do Brasil, empresa sediada em Manaus, fica em quarto lugar, com 19 requerimentos de exploração da Amazônia, sendo seis em reservas indígenas.


Para levar os empreendimentos adiante, as mineradoras contam com diversas formas de investimentos.


Os empréstimos bancários são um dos principais meios. Entre 2016 e 2021, as empresas atraíram cerca de US$ 12 bilhões.


Os bancos são os seguintes:


Em primeiro lugar, o francês Credit Acricole, com US$ 698 milhões investidos em empréstimos e subscrições para diferentes mineradoras.


Entretanto, a forma mais utilizada entre os bancos para investir em fundos de mineradoras são as ações.


Segundo reportagem publicada pela Congresso em Foco, a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), é a líder mundial nessa modalidade, com US$ 7,4 bilhões investidos em títulos e ações da Vale, conforme aponta o relatório, levantado com dados de novembro de 2021.



Outra instituição financeira brasileira com aportes bilionários investidos na Vale é o Bradesco, que tem atualmente US$ 4,3 bilhões em ações da mesma empresa, ocupando o quarto lugar na lista de maiores acionistas em mineradoras em ação no bioma amazônico.


Outros bancos privados do Brasil com investimentos no setor são o Itaú, com US$ 601 milhões investidos na Vale, e o banco espanhol Santander, com US$ 20 milhões na Anglo American, US$ 4 milhões na Rio Tinto e US$ 166 milhões na Vale.


A Caixa Econômica Federal também apresenta empreendimentos no setor: são US$ 786 milhões investidos na Vale. O Banco do Brasil tem US$ 285 milhões aplicados em ações da mesma mineradora.


Confira a lista de investimentos bancários em ações de mineradoras atuantes na floresta amazônica, conforme apontado no relatório da Amazon Watch e APIB:



As empresas citadas na reportagem foram contatadas pela Congresso em Foco para prestar esclarecimentos sobre os investimentos citados.


O Banco do Brasil informou que não vai se manifestar.


A Caixa alegou que os investimentos na Vale na realidade foram feitos pelo fundo de pensão dos seus empregados (Funcef), entidade autônoma que enviou a seguinte nota:


“O investimento da Funcef na Vale ocorreu no processo de privatização da mineradora, em 1997. A participação atual da Funcef é de 1,19% do capital da companhia, fatia que equivalia a R$ 5,2 bilhões em 18 de fevereiro de 2022. Embora tenha reduzido a exposição ao ativo em 2021, a Funcef segue posicionada na mineradora. A decisão se baseia na análise técnica do potencial do ativo e no entendimento de que a mineradora tem aprimorado suas práticas ESG, conforme destacado em apresentação aos investidores realizada no quarto trimestre de 2021.”


Lucas Neiva, repórter da Congresso em Foco, deixou um espaço aberto para que todas as empresas mencionadas se manifestem.


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